domingo, 30 de dezembro de 2012

odeon








sempre considerei a música dos mutantes
superior a dos beatles
rita Lee infinitamente bonita
vestida de noiva
sobre um bolo branco de casamento
(ser herói
ser marginal)


assumo pecados de cristão novo
fujo do futuro
retorno aos anos infantis
quando ouvi surpreso e encantado
o disco com capa estranha
meio monstro
meio árvore
caminho no sentido contrário
através das fotografias em preto e branco
em pose de grupo escolar

(atrapalhado pela conversa das duas amigas
na estação largo do machado
invadindo o poema
a maneira dos órgãos de repressão
pós ato institucional número cinco)


carrego a caneta entre os dentes
apontando armas
tentando recuperar o discurso político
recriando esperanças
lançando bóias salva vidas
me transformo em Torquato neto vampiro
das areias de Copacabana
em um filme antigo

quanto há de passado no presente
diversas maneiras de perceber o mundo
olhos envelhecidos
preso ao medo da morte
descoberta na autópsia do próprio cadáver

assistir pela janela
o quarto de menino
abrigo de revoluções e brinquedos
a dor rasgando superficialmente a pele
deixando impressões tatuadas
demolindo muros
abatendo o ódio no renascimento
sobre o amor vazado.


Flávio Machado

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

...sem se perder.


"Eu gosto quando as nossas vidas se encontram, e quando nossos sonhos se abraçam. Eu acho bonito quando, de olhos fechados, as nossas mãos se acertam, sem qualquer feixe de luz. Eu acho leve caminhar assim...sem se perder." 

(Ivanúcia Lopes).

sábado, 10 de novembro de 2012

Jesus e Platão contra o Bonde das Morceguetas



O Novo Testamento nos conta que há mais de dois mil anos Jesus Cristo impediu uma adúltera de ser legalmente apedrejada, pois já naquelas priscas eras o Messias considerou que o ato de atirar pedras em uma mulher, ainda que pecadora, era uma ação brutal e, por isso, inaceitável, justificando-a como demasiado hipócrita, porque todos que julgavam a mulher também eram no devido contexto "foras-da-lei". É quase isso: se tenho cuecas de bolinhas amarelas sob minhas calças, eu não deveria atormentar a vida de quem as tem no armário. Esse é um dos princípios da honestidade. E da sanidade mental. Mas eis que dois mil anos depois de Cristo, ainda atiram-se pedras. Mas dessa vez não foi sobre uma personagem bíblica legalmente condenada à morte, mas na vida de uma menina brasileira do século XXI que age sabendo que pode ajudar a melhorar as coisas. Opa, Cristo também não agiu sabendo?  

 Podemos dizer que essa menina é de pedra, mas preciosa. É de ouro, mas também é de fibra; uma menina que não quer ser melhor do que ninguém, que simplesmente tem atitude, que age em nome do que é para todos, ou seja, trata-se do que deveria ser de interesse coletivo. Mas a tal atitude dessa menina, a crença dessa menina parece ter como princípio o Absurdo, que remete a um outro bem maior e este sim, digno de sê-lo: essa menina de ouro seria quase única? Quase tão luminosa e solitária que se tornaria num bater de asas uma aberração em caverna infestada de morcegos adormecidos, e como não podia ser diferente, de cabeças lá para baixo? Ora, então aproveitem esse raio de luz, morceguetas da nossa caverna, primitiva e progressivamente mais obscura sociedade. E de uma vez por todas, tenham visões sensíveis e pratiquem ações inteligentes na vida, sobre o além-mundo que as cerca. Façam-se homens e mulheres. Falta muito, eu sei, talvez a pequena distância de uma utopia para essa tal consciência pra lá das cavernas da ignorânica e da bestialidade florescer. Mas isso tudo é a vida, e que bom, olha a vida nos surpreendendo outra vez com o Bem, quando tudo parece Mal.


A menina é Isadora Faber e ela tem um "Diário de Classe" no Facebok. Ela pecou contra o sistema: corrupto, negligente, ineficiente e atrasado.  

Camillo Landoni

fonte: inpurolandoni.blogspot.com

sábado, 3 de novembro de 2012

Biografia dos Autores









Vem aí...


A 1º Copa Poética Autores S/A!
Fiquem ligados!

Revista Autores S/A: Sertão


Como surgiu o blog Autores S/A



      Durante um passeio da faculdade, Lohan e Camila, então estudantes de Letras, se conheceram e descobriram que tinham em comum o gosto pela Literatura. Depois de algumas conversas, surgiu a ideia de criar um espaço no qual os estudantes e professores pudessem compartilhar seus textos e trocar ideias sobre literatura, música, cinema e cultura em geral. Assim surgia o blog Autores S/A, em 05 de julho de 2009. Alguns contatos foram feitos e, aos poucos, os amigos foram chegando e associando-se. O blog cresceu, apareceu, e em pouco tempo já acolhia pessoas de outras cidades e estados. Hoje contamos com os dedicados administradores: Lohan Lage e Camila Furtado, que, juntamente com cada escritor do blog, trabalham para fazer deste espaço um lugar interessante e dinâmico. Sem dúvida, trata-se de uma Sociedade diferente das outras, pois sem qualquer fim lucrativo, seu objetivo continua sendo a propagação da leitura, a descoberta de novos talentos e a valorização do pensamento e das diferentes formas de expressão. Sejam bem-vindos, divirtam-se entre nossas páginas e não saiam sem deixar seu recado, comentário e nem mesmo sem curtir!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"FARSA"



FARSA

Aline Monteiro publicou este poema ( os 4 primeiros versos) no Facebook, assim que o vi, escrevi os últimos 4 versos, ela diz que é um outro poema, mas eu digo que é a continuação do outro.
E você leitor, o que acha?
 
 
.
.
.

Desviei o olhar

Enxuguei o suor

Disfarcei o nervosismo

Menti um poema

 

 

 

disfarcei o suor

menti um olhar

desviei o nervosismo

enxuguei o poema.

Aline Monteiro e Dante Pincelli

 

2012

 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

sobre a canção de Bob Dylan



quase não sei o que dizer
a respeito de blowin’ in the wind
talvez tente traduzir a letra literalmente
sem importar a falta de sentido
soprando ao vento

apenas ouvir a voz anasalada do cantor repetir
sem contar quantas vezes
blowin’ in the wind

sentir o ar na penumbra do quarto
esperando a inauguração do dia
a festa silenciosa das luzes
movimento crescente de máquinas e gente

e confessar
o quanto isso deixa comovido.


Flávio Macahdo

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Hot Space, o pior álbum da 'Rainha'?




 
Antes de rever os últimos posts que escrevi, eu estava... Perdido? Escrever o quê? Sobre o quê? Para onde ir? Vou em frente? Volto atrás? Fico onde estou? Mais dois segundos e me achei. Só precisava mesmo retomar a boa rotina de “Autor SA”.  E daí o post da volta: por que não sobre quem se perdeu? Na história da música há muitas perdas. Não, não falo da morte propriamente, mas sobre capítulos que nos fazem questionar se fariam realmente falta caso não tivessem sido escritos e publicados.

A premissa para se perder amanhã é saber onde estamos hoje, ou para onde precisamos ir; portanto, não haverá lugar aqui para quem nunca se encontrou. Então vamos agora começar a conhecer ou recordar alguns dos perdidos mais gloriosos da história da música.

Muitas foram as bandas de Rock dos anos 70 (do século XX, tá?) que ao cruzarem a fronteira dos 80 sacaram sem pudor as credenciais do Pop.  O Queen não fugiria à essa regra, lançando neste período álbuns recheados de sintetizadores e músicas dançantes. O alvo do presente post é exatamente um destes discos: Hot Space, lançado em 1982 e considerado por 10 entre 9,8 ouvintes, entre fãs e simpatizantes do Queen, o pior trabalho da banda britânica. Pop demais para uma banda de hard rock? Quem acha isso é porque nunca conheceu Queen de verdade, pois ela sempre esteve além do gênero que a consagrou. E só por preciosismo, a banda é britânica, não inglesa, pois Freddie Mercury não era inglês, uma vez que sua origem nos remete a uma das ilhas do arquipélago de Zanzibar, que foi colônia da Grã-Bretanha entre 1919 e 1961 e hoje é território da Tanzânia.


Não deixa de ser coisa do senso comum considerar a “interferência” do Pop nas tavernas do Rock um evento histórico, com marcos didaticamente definidos, porém, nos aproximando mais dos fatos somos capazes de ouvir admirados (é por minha conta) um Judas Priest ‘coverizar’ Fleetwood Mac, ainda em 1978. É só um exemplo entre tantos outros de que o rock pesado nunca foi uma terra insular, banhada por um oceano de solitária e arrogante superioridade. Apesar disso, a maior parte dos críticos, dos fãs e até mesmo a própria banda, dizem, relegaram Hot Space ao “quase” esquecimento. Juntos, críticos e fãs exilaram este que é o 10° álbum da carreira do Queen, transformando-o numa ilhota insignificante sempre afastada dos melhores, dos mais famosos e dos clássicos. Mas, contrário a toda crítica especializada e a todos que o menosprezaram, Hot Space é um tesouro a ser ainda descoberto, 30 anos após seu lançamento. Deve ser mais do que ouvido como um eco crítico (é o pior-pior-pior), deve ser lido na sua intrínseca musicalidade, a despeito de suas possíveis relações com a história do rock. Apesar de todas as complicações interpessoais e políticas que envolveram a gravação deste álbum, Hot Space é um primor de produção musical. Sessões de baixo maravilhosas, que não desmerecem em nada o notável talento de Jonh Deacon. A voz de Freddie Mercury esbanja versatilidade e brilhantismo. “Cool Cat” é uma das melhores peças já produzidas pela banda. Nesta música a voz de Mercury consegue superar o que pensávamos conhecer a respeito dela. “Put out the Fire” e outras músicas deste álbum são infinitamente melhores que “We Will Rock You”, por exemplo, mas é claro que os que consideram a história acima de tudo execrarão minhas opiniões.


Em suma, ao contrário do que 99% (chute?) dos críticos consideram, Hot Space não se resume à sensacional e renomada “Under Pressure”, que encerra o álbum. Ao contrário da opinião da maioria, este não é o pior álbum do Queen, é sim o mais injustiçado e precisamente uma delícia de se ouvir.      


Link para ouvir o álbum completo: 

 http://www.youtube.com/watch?v=8WWCtz57JQY




  
Camillo Landoni



                                    
    

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pista Vazia


Neste post teremos, especialmente, um conto do professor Reinaldo Kelmer, que, de vez em vez, nos brinda com seus ótimos contos aqui no Autores S/A. A seguir, o texto do nosso sempre nobre convidado, intitulado "Pista Vazia". Boa leitura a todos.



A vida é, de fato, uma questão de prisma. Não consigo entender os homens, tampouco me colocar no lugar deles. Será tão difícil nos compreenderem um pouco? Olham sempre para o próprio umbigo; seu mundo resume-se aos seus interesses. Já me cansei. Namorei algumas vezes e não fui rigorosamente seletiva; aliás, deixei sempre meu coração me guiar, me iludir, me enganar. Fui livre, às vezes, e perdida, na maioria. Sei que não interessa ao leitor saber detalhes da minha vida, mas acordei com vontade de falar, de me expor, de abrir o caderno das paixões, para ver se me entendo mais.
Se não sou propriamente uma defunta autora, já morri para os sentimentos e, por isso, distante, fico à vontade para dizer tudo. Não me interessam mais as coisas do coração. Fui tola muitas vezes quando dava corda às canções, aos poemas, aos filmes românticos. Via-me nas cenas, nos versos. Caí. Vejam só, meu último relacionamento foi um soneto mal acabado, com rimas pobres. O sujeitinho era sempre reticente, não sabia o que desejava da vida, não tinha um objetivo direto, nem mesmo indireto. No fundo, tudo era indeterminado em nosso relacionamento. Tive dúvida, até mesmo, do gênero dele. Ainda hoje me pergunto se ele era ou não bitransitivo. Apesar de um nome grave, Normando era literalmente agudo. Eu hiperbolicamente apaixonada e ele conciso e ambíguo nos sentimentos. Mas felizmente acabou; pus um ponto final na relação.
Na adolescência, conheci um rapaz muito tranquilo e honesto. Participava de um grupo jovem na igreja do bairro. Conversávamos sobre o mundo, as virtudes da vida, as tentações; porém, terminávamos em longas ave-marias. Queria conhecer melhor os prazeres, mas ele me dava sermões de comportamento, e eu escutava longas ladainhas sobre certo e errado. Desfiz as contas e o deixei. Foi quando conheci Carlos Fortuna, gerente de um banco, homem bem vestido e altivo. Impressionei-me de cara. Que postura! Ao contrário de Zé Bento, Carlos sempre investia, era arrojado, agressivo, sempre em alta. Por mais que tentava ser cautelosa, acompanhava a movimentação. Um belo dia, resolvi fazer uma surpresa e apanhá-lo no banco para um namoro no almoço; estava com superávit de saudade. Não o vi e perguntei a um funcionário pelo gerente Fortuna. Ele me disse que havia saído para almoçar com uma cliente. Procurei pelos restaurantes vizinhos e o encontrei numa mesa, juntinho de uma bela cliente, fazendo novos investimentos. Na hora senti uma desvalorização; tinha ido para o vermelho sem aviso prévio. Eu que pensava ser nosso relacionamento uma aplicação segura.Fechei a conta.
Pensei não mais amar ninguém. Nem havia passado da juventude e já não via futuro estruturado, desenhado e bem planejado. Cogitei até dar chance a Pedro, estudante de engenharia, jovem promissor e sério que conheci pela internet. Pensei em um futuro construído em pilares sólidos, estrutura familiar firme. Mas estava desestabilizada, frágil; nada em minha vida parecia ser concreto, apenas andaimes inseguros. Hesitei em construir em terreno desconhecido e não tive coragem de entrar em uma nova empreitada.
Depois de Pedro, Jorginho também tentou, mas entrei logo de sola e o mandei para escanteio. Não queria nada com trabalho; sonhava com a seleção, com campeonatos, com títulos. Não há dúvida de que tinha talento; no entanto, não é fácil ser jogador de futebol profissional. Ele até conseguiu, mas terminou em um clube de Campinha Grande, na Paraíba, sem muito sucesso e com pouca grana. Não conseguiu seu pé de meia, apenas marcas de cirurgias e de pancadas.Quando pendurou a chuteira, desconhecido e sem alternativa de trabalho, voltou para o Rio. Hoje tem um botequim lá no bairro onde nos criamos. Ainda bem que não entrei no jogo dele, vi que era contrato de risco, senão estaria em um boteco cheio de fotos antigas e recortes de jornal, servindo bebidas e salgadinhos e ouvindo histórias de futebol.
A vida seguiu e, finalmente, pensei: agora vai.Comecei a trabalhar em uma montadora de carros e tive condição de buscar meu sonho: a faculdade de Direito. Os primeiros anos foram muito bons. Trabalhava com dedicação e me empenhava nos estudos. Os resultados eram sempre positivos no trabalho e na faculdade. Finalmente havia me encontrado na vida; uma realização plena. Estava satisfeita. Contudo, as flechadas do cupido insistem em desestabilizar as pessoas. Por que insistimos em sentir falta de alguém ao nosso lado? Poderia ser uma amiga, alguém da família; mas não. É a tal da carência? Da própria existência humana? Foram feitos um para o outro homem e mulher? O que interessa é que senti a ponta afiada da flecha me tocar. Pior de tudo, duplamente. Vocês me dirão: não se serve a dois senhores ao mesmo tempo. No entanto, um completava o outro. Entenderão o que digo.
Comecei a estagiar no fórum da cidade. Foi quando Luís ingressou com a ação de amar. Seu olhar era firme na convicção de pedir. Sabia fazer isso muito bem. Quando, pela primeira vez, paramos para conversar, ele me convenceu com um argumento muito bem articulado de que havíamos nascido um para o outro. Não demorou muito para que me persuadisse a almoçar com ele e, logo depois, no final de semana, estávamos juntos em um hotel no litoral sul do Rio de Janeiro. Sem contestação, finalmente me encontrei amparada, num relacionamento justo. Foi assim durante os primeiros meses. Luís era um homem muito ocupado. Trabalhava muito no fórum e levava vários processos para casa. Às vezes, viajava, dizia ele, para resolver outros processos. Uma petição aqui, um contrato ali, uma audiência lá. Assim as causas iam se resolvendo e se desdobrando. A justiça, por vezes, é cega. Luís foi me deixando, foi prorrogando nossa ação amorosa. Justamente nas brechas deixadas pela lei do homem, entram as interpretações. E foi assim. Justino trabalhava comigo e frequentemente levava para ele as ordens de serviço. Era um mecânico forte, alegre e franco. Não era muito polido, mas não chegava a ser grosseiro. Olhava-me com admiração, mas respeitava. Usava uma aliança grossa na mão esquerda. Um dia, porém, ele me olhou de baixo para cima, de cima para baixo e me disse: “Dona, a senhora é muito bonita e atraente, mas acho que não está recebendo o trato que merece”. Assustei-me e afastei-me imediatamente. O curioso é que não repudiei o comentário, apenas refleti.
Passei alguns dias pedindo a outra funcionária que levasse as ordens de serviço, pois não queria contato. Depois de alguns dias, voltei eu mesma para levá-las. Seu Justino, o senhor é casado? Sou sim, senhora. Tenho dois filhos. Por que o senhor me disse aquilo naquele dia? Dona, percebo de longe quando uma mulher não é bem amada. E a senhora merece ser. É só me dar chance. Saí dali mais pensativa ainda e, confesso, excitada. Conversamos mais duas vezes e, naquela semana, saímos mais cedo e nos encontramos juntos em um motel de terceira categoria dos arredores. De fato, a pegada de Justino era firme. Segurava-me e apertava-me tal como eu o vi fazendo no trabalho. Era para ele uma máquina que precisava de ajuste. Sentia o sangue correr quente em minhas veias como óleo lubrificando os motores. Fazia tempo que não fazia uma revisão completa. Valeu o check-up. Saí refeita e satisfeita pelo serviço daquele mecânico.
Assim, vivi duplamente durante seis meses. Amava meu doutor, apesar de pouca atenção, mas adorava a retífica semanal. Conforto e satisfação me completavam. Até que um dia Justino foi demitido e nunca mais o vi. A monotonia tomou conta de mim e resolvi uma separação amigável com Luís. Além disso, o estágio terminara , estava formada e precisava caminhar só. Luís me ajudara bastante com conhecimento e indicações. Foi um estágio vantajoso. Chegamos a um acordo e encerramos a causa.
Desse modo, errante fui-me construindo. Casos e descasos, encontros e despedidas, paixões e agruras; na verdade, mais dissabores do que sabores. Entre tantas, conheci Cunha, sargento da polícia. Era uma das suas, não a preferida nem a desprezada, mas uma delas. Quando me queria, me procurava, insistia, ameaçava; depois, voltava à grosseria, ao descaso. Isso não era privilégio meu, pois todas tinham o mesmo tratamento. Para conquistar, se controlava e até tentava um comportamento polido e culto, depois controlava as ações e as manobras eram de acordo com o interesse e a necessidade. Era uma espécie de tática, espírito policial. Sentia-me presa não por vontade, mas por um misto de medo e fetiche. Por fim, senti ter cumprido minha pena e libertei-me.
Às vezes buscava o oposto para curar-me. Quis alguém delicado, carinhoso, dedicado. Não foi difícil encontrar, homens estão aí aos montes. Pierre era isso. Demorou semanas na conquista, e outras tantas para a intimidade. Levava-me ao cinema para filmes clássicos; depois íamos a restaurantes finos. Nunca me deixou dividir a despesa. Apreciava bons pratos e boa música. Em sua casa, preparava pratos delicados e deliciosos, sempre com música ao fundo. Prezava pelo tempero exato. Cozinhar era invenção e magia; bastava saber combinar as poções. Dizia sempre que preferia pecar pela falta de sal ao excesso. Mas quem é que não gosta de algo picante vez ou outra? Senti falta de um tempero mais forte, de uma dose extra de pimenta, de um molho ao vinho tinto. Deixei-o num jantar perfeito ao som choroso deNina Simone: “I put a spell on you”.
Agora, vocês já sabem, fechei-me para organizar minha vida. Desejo paz e tranquilidade, para decidir meu caminho. Não disse sim nem não ao Lucas; não dei esperança, mas disse-lhe que as portas do coração estão encostadas. Ele, cardiologista, disse saber abri-las; possui chaves. Não quero mais batidas descompassadas que só trazem dores de cabeça. Quero me curar de vez. As paixões me trouxeram efêmeros prazeres e gastrite constante. Noites alegres e noites de insônia. Enchi-me de remédios inúteis. Agora me vem um especialista em saúde, para mexer com minha cabeça e com meu corpo de novo.  Ainda é cedo para qualquer decisão, mas o médico parece manter a mente sadia em seu corpo sadio; tem espírito saudável. Não consegui ainda examiná-lo a fundo, pois nos encontramos apenas três vezes, teclamos algumas palavras e nos falamos pouco ao telefone. Só uma anamnese dirá ou esconderá quem somos. É muito difícil um raio X da vida.
E por falar nisso, na semana passada, quando viajei para realizar um curso em São Paulo, conheci Ícaro Soares, um aeroviário muito interessante. Fui bem tratada; pareceu-me um pouso seguro.  Pois é, o que fazer? Fico esperando a vida decolar de vez, mas ainda sou pista vazia. Na verdade, não sei se sou a pista que espera ou a nave que procura.No confuso tráfego aéreo, busco um céu de brigadeiro e uma rota segura. Para onde voar? Qual meu destino? Com quem? A viagem é incerta; porém, para garantir, já marquei minha consulta e já fiz meu check-in.

Rio, 08/09/2012.
Reinaldo Kelmer

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

"chove choro."




de onde vem essa gente?
gente que se apinha
que se amontoa
forma cidades 
soci-e-dades?




chove gente 
engente
chove língua
palavra conversa
é gente à beça...



eis que um dia chove chuva
rebento de nuvem cheia
cai no mato
cai no monte
cai na cidade
inundachão
escorre árvore
navega pedra
soterração...


cicatrizes virão
outro verão verão
quero o dia
da ressurreição do poder
da responsa-habilidade
de lidar com gente
toda essa gente
que se apinha e apanha em cidades
surras de dar dó...


isso é brasil!


2011
 
 
 
Escrito na ocasião do deslizamento de terra e sepultamento instantâneo de gente na região serrana do Rio de Janeiro.
 
 
 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Resultados Finais - Anúncio do Grande Vencedor




502

90

30

12

1



SOMENTE 1 NOME

1 SONHO

IRÁ SE CONCRETIZAR NO FIM.

TODOS JÁ SÃO VITORIOSOS,

MAS SÓ 1 POETA

VAI PODER GRITAR, NO FINAL:

“EU VENCI O II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A!”



SEJAM BEM-VINDOS AO ÚLTIMO POST DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A: O ANÚNCIO DO GRANDE CAMPEÃO





RETROSPECTIVA DAS VITÓRIAS DO

II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



ETAPA: CINEMA

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: HAICAIS

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: POEMA INSPIRADO EM IMAGEM DE DOISNEAU

VENCEDOR: HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



ETAPA: FATOS DO ANO DO NASCIMENTO DO POETA

VENCEDOR: GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



ETAPA: A NUDEZ FEMININA

VENCEDOR: WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER)



ETAPA: HOMENAGEM A CLARICE LISPECTOR E A CECÍLIA MEIRELES

VENCEDORES: ANA BEATRIZ MANIER E FLÁVIO MACHADO (BAROLO E DERSU UZALA – DUPLA).



ETAPA: MITOLOGIA

VENCEDORA: LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO)



ETAPA: O FIM DO MUNDO

VENCEDOR: GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



E AGORA: QUAL NOME SERÁ ESTAMPADO EM:



CAMPEÃO

(?)



CONSIDERAÇÕES DE LOHAN LAGE PIGNONE



ANA BEATRIZ MANIER (BAROLO)



“Sua escrita simples – retratos concisos do nosso cotidiano – ganhou a atenção de leitores e jurados. Para quem não se dizia poeta (a formação literária voltada predominantemente para as crônicas), Ana Beatriz demonstrou que a poesia habita sim, em cada um de nós – basta procurarmos por ela, com cuidado. E com sua linguagem objetiva, reflexiva e eficaz (e não menos poética), Ana Beatriz Manier já pode ser considerada a cronista mais poética do Brasil”.



ANA LÚCIA PIRES (ANNA LISBOA)



“A malabarista das palavras. Não houve quem não se espantasse com tanta criatividade transbordando pelas entrelinhas dos poemas de Anna. Além disso, lê-se a alma de Ana Lúcia Pires em cada verso por ela disposto; aquela é a sua verdade, pondo em xeque o que já poetizou Fernando Pessoa, “todo poeta é um fingidor”. Ana não finge, ela é. Nas etapas finais, Ana parecia nunca engrenar no ranking, embora sempre fosse uma das mais comentadas, o “Trending Topic” do Autores S/A. No entanto, nas últimas etapas, disparou feito um foguete e agora, após três meses de pura diversão poética (que é o que ela transpareceu), disputa o título”.



CINTHIA KRIEMLER (LUNE)



“Esta soube demarcar bem o seu território. Sempre soube onde por o pé (ou a mão, ou a caneta, enfim). Seus poemas são como avalanches que, à medida que vão se desenrolando, vão ganhando ainda mais força, mais fúria. E, no fim, desconstroem o leitor com arremates bem encaixados. Demonstra insegurança, por vezes, em relação a que “bicho vai dar”. Mas ela sabe, no fundo, o que virá. Sabe que seus poemas tem o que dizer, conforme a própria afirmou no começo do concurso. É, sem dúvida, a poeta mais regular dessa edição; desde o princípio se mantém entre os primeiros colocados, com território demarcado; e se manter regular sob pressão e sob dezenas de olhares distintos dos jurados é um feito para poucos, pode-se dizer. Marcelo Asth também se apresentou assim no concurso do ano passado e foi o vencedor. Será Cinthia Kriemler a nova vencedora?



FLÁVIO MACHADO (DERSU UZALA)



“Flávio Machado é o poeta que combateu o bom combate. Sua instabilidade o tirou da briga pelo título, embora sua qualidade como poeta seja inquestionável. Nas últimas etapas vem reforçando o ritmo, elaborando poemas memoráveis, como “sonhos de Kurosawa” e “perdoe por te traíres”. Sua escrita identifica-se com a de Ana Beatriz (Barolo), pela concisão, pela poesia disposta objetivamente. E, coincidentemente, ambos formaram a dupla vencedora na etapa das homenagens a Cecília Meireles e a Clarice Lispector. Apesar da colocação ingrata no ranking, Flávio se mantém fiel ao seu ritmo e, sem esmorecer, vem desfilando pérolas poéticas nesta reta final”.

                       

GEOVANI DORATIOTTO (G.D)



Geovani Doratiotto é o genuíno poeta concreto desta edição do concurso. A propósito, o II Concurso de Poesia Autores S/A apresentou um grupo de estilos muito bem marcados, singulares. G.D, certamente, foi o mais arrojado dos poetas, já tendo voado de Heidegger a Paulo Freire em sua poesia. Não se importou se havia ou não conservadores entre os jurados ou mesmo entre o público leitor, acostumados com poemas, digamos, “mais bem-arrumados”: manteve-se firme em sua estrutura poética do começo ao fim. O caçula da edição, Geovani é também o poeta dos arremates de humor e impacto inigualáveis neste certame. O que presenciamos, durante esta competição, foi o parto do novo Maiakovski brasileiro: Geovani Doratiotto é o nome dele.



LETÍCIA SIMÕES (ALICE LOBO)



“A menina que nasceu do rascunho do mar. Alga viva, poética, que durante a competição rasgou sorrisos amarelos e quebrou ondas de poesia sobre os leitores e os jurados. Letícia Simões foi, talvez, a poeta mais discreta dessa competição, haja vista sua posição de destaque no ranking desde o princípio. Pouco se ouviu/leu falar de Alice Lobo nos comentários ou nas redes sociais; no entanto, derramados elogios foram recebidos dos jurados em todas as etapas. Sua subjetividade calculada e sensibilidade aflorada lhe renderam vitórias inesquecíveis”.



WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER)



“O único representante do Nordeste brasileiro nas finais – e dele os nordestinos podem se orgulhar. Wender Montenegro, poeta de espírito jovial que sabe se aliar ao tom clássico, à poesia de requinte. Poeta-pássaro, que voou por alturas inalcançáveis por outros poetas. Foi o poeta que deu o maior salto nas finais: do penúltimo ao primeiro lugar. Tornou-se o “poeta ser batido”. Manteve-se firme em seu posto soberano até a rodada passada, quando, por travessura dos deuses, despencou para o quinto lugar. Não obstante isso, Wender apresentou belos poemas na última etapa e se destaca, sem dúvida, como um dos grandes favoritos ao título. Seus pássaros alcançarão o cume do Olimpo?”





FRANCISCO FERREIRA (JOÃO SARAMICA)



Francisco Ferreira, o poeta que veio com tudo e esteve prosa! Incansável, Francisco, ou melhor, João Saramica Turrinha de Longe (as várias facetas poéticas desse mineiro) alcançou a oitava colocação no I Concurso de Poesia Autores S/A; neste ano, alcançou a segunda colocação no Concurso de Poesia Língua’fiada (uma competição de formato semelhante à do Autores) e agora, firme e forte, disputa a segunda edição desse concurso. Por vezes demonstrou sinais de cansaço, também pudera; talvez isso o tenha atrapalhado nessa maratona poética. Por tudo isso e muito mais, Francisco Ferreira desponta como um dos grandes poetas desse país.  





THIAGO LUZ (JEAN JACQUES)



“O poeta guerreiro: Thiago Luz. Sua poesia aguerrida e, por vezes, belicosa (e não menos doce) envolve o poeta com uma aura de guerreiro a la Castro Alves e seus protestos bem sedimentados. Talvez tenha sido justamente esta aura que, nesta edição, não tenha sido tão bem-quista pelos olhares críticos. Nota-se que houve maior adesão aos formatos mais ousados, às estruturas (de)formadas – o traço de presentificação tão latente na poesia contemporânea, nesta edição do concurso. Thiago Luz é um perfeito romântico (no sentido original do termo) contemporâneo”.



HERNANY TAFURI (NONADA F.C.)



Nonada F.C., o poeta dos 45 do segundo tempo. E nada melhor do que atribuir esta definição futebolística para o poeta que mais ama este esporte no II Concurso de Poesia Autores S/A (haja vista, a priori, o seu pseudônimo). Hernany Tafuri também participou da primeira edição desse concurso e conquistou, com méritos, a quarta colocação. No início desta edição, Hernany vinha sendo um dos destaques entre os jurados. Foi chamado às Finais devido à desistência de um dos poetas que, coincidentemente, é de Juiz de Fora assim como ele. Tendo entrado de sopetão nesta disputa, Hernany pareceu deslocado, não tendo alcançado o metade do êxito que conquistou no ano passado. Na última etapa, porém, brindou a todos com dois belíssimos poemas, deixando um questionamento: por que não foi assim desde o começo?... No mais, digo ao poeta: sua perseverança e o seu respeito pelo certame foram exemplares, não obstante a posição ocupada, às críticas, aos “sem comentários” tão dolorosos... Parabéns, Nonada.



MARCO ANTÔNIO TOZZATO (PER-VERSO)



“Sim, Marco, você pode se levar a sério como poeta. Este, conforme você mesmo havia declarado, era o seu maior desafio. Cumpriu seu papel com muita competência, aflorando sua faceta poética com ousadia, destemor. Seu eu-lírico certamente foi o mais perverso do certame, fazendo jus ao seu pseudônimo Per-Verso. Quem não se lembra do primeiro poema da pré-seleção, o “Per-Versa”? E como se esquecer do momento de maior ousadia, talvez, desta edição: o haicai “Orvalho”, cuja avaliação foi feita por um conservador haicaísta. Penso que este concurso tenha lhe servido de estímulo incomparável para que prossigas nesta trilha poética, a qual nunca havia sido tão explorada por você como durante esses três meses e meio de competição. Pode bater no peito com orgulho e se considerar um dos poetas que melhor aborda sobre o (cu)nho – trocadilho inevitável - erótico no Brasil”.



HENRIQUE CÉSAR CABRAL (GASPAR)



O poeta mais experiente (em idade) da competição, soube o tempo todo como conduzir sua escrita. Parecia não se importar com os infortúnios dos primeiros resultados das finais; parecia saber que ainda daria a volta por cima na competição: e deu. Deu a volta por cima no momento certo e agora, em segundo lugar, disputa com muito mérito este título. Possui um estilo marcante, de metáforas imbatíveis nesta edição (quanta imaginação!). Escreveu um dos poemas mais bonitos da competição “Aulas Mortas”. Sempre bem-humorado in off, Henrique foi o poeta que mais correu por fora nesta competição, conquistando a cada etapa os corações (e as cabeças) dos jurados”.







ENTREVISTA COM OS POETAS FINALISTAS

DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



Abaixo, uma entrevista imperdível com esses 12 poetas que fizeram história no blog Autores S/A. Boa leitura!





1- QUAL FOI O JURADO OFICIALQUE, NA OPINIÃO DE VOCÊS, MAIS ACRESCEU E ENRIQUECEU A COMPETIÇÃO COM SEUS COMENTÁROS DURANTE O CERTAME? E POR QUE?





Ana Beatriz Manier (Barolo): Achei todos os comentários pertinentes, mesmo quando opostos - o que foi êxito para um foi falha para outro. Isso, longe de vangloriar ou ofender, faz ver como a crítica, embora pautada em alguns preceitos básicos do que é literatura, tem muito a ver com a subjetividade do leitor. Elogios especiais a Paulo Fodra pela gentileza de seus comentários. Mesmo quando algum poema não lhe agradava, comentava-o com delicadeza, sem se esquecer de que do outro lado da tela há gente de carne e osso.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Fácil a resposta, Afonso Henriques, pelos comentários sempre direto, e até pela correção da grafia de algumas palavras; discordei apenas do comentário ao poema sobre imagem de mulher nua.



Francisco Ferreira (João Saramica): Paulo Fodra. Pela sua coerência.



Cinthia Kriemler (Lune): Paulo Fodra. Apontou erros, acertos, mostrou incongruências e tudo isso sem interferir no estilo pessoal de cada autor (nem mostrar suas preferências). Para mim, estas são as qualidades de um bom jurado.



Geovani Doratiotto (G.D): Paulo Fodra, apesar de ser um jurado objetivo, não se perdeu nas análises de critério estritamente formais.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Paulo Fodra sempre fez críticas construtivas, apontando os pontos fortes e fracos dos poemas.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Todos os jurados me deram toques incríveis, que vou utilizar enquanto fizer poesias. Foi difícil escolher um. Mas vou destacar o Paulo Fodra por um comentário específico na fase “Fatos do Ano do Nascimento”. Ele elogiou bastante o meu poema na primeira parte da avaliação, mas foi a observação da segunda parte que me ajudou mais. Ele mostrou que apesar das qualidades excelentes que um poema pode ter, é preciso estar atento ao todo: ritmo, conteúdo, forma; enfim é preciso evitar deslumbramentos e manter-se crítico até que consideremos o poema realmente pronto.



Henrique César Cabral (Gaspar): Acho que o jurado Paulo Fodra foi mais atencioso com os poetas. Sempre com orientações simples, sem ar professoral, mais didático, suas opiniões, no meu caso pelo menos, sempre foram pertinentes.



Letícia Simões (Alice Lobo): Sem querer ser injusta aos demais jurados, mas as análises de Afonso Henriques Neto foram muito enriquecedoras para mim. Ele é objetivo, sintético e conciso, tendo-me ajudado muito a direcionar a escrita do poema dentro dos temas propostos no concurso. (Porque é um desafio e TANTO escrever baseado em uma temática específica e não a bel prazer...).



Thiago Luz (Jean Jacques): Paulo Fodra. Tanto as críticas positivas quanto as negativas foram bem instrutivas. Gostei muito do Afonso também.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Paulo Fodra me fez compreender que nem sempre minhas estrofes em diferentes vozes agradam. Confesso que quando resolvi mudar, o fiz contra minha vontade, mas agora gosto do resultado. Não será uma mudança perpétua, claro, mas gostei de trabalhar com esse desafio em cima do desafio. Ele teimou, teimou (risos) e venceu. 



Wender Montenegro (Manoel Helder): Paulo Fodra foi quem, a meu ver, mais cumpriu suas funções. Além de bastante coerente em suas análises, o que só contribui com a qualidade do Concurso Autores S/A, o crítico se mostrou realmente preocupado com o crescimento dos poetas deste certame. Parabéns, Paulo!







2- QUAL FOI O JURADO CONVIDADO QUE MAIS IMPRESSIONOU (POSITIVAMENTE) COM SUA PARTICIPAÇÃO? E POR QUE?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Gostei muito de Flavia Rocha, sintonizou-se muito bem com o que tentei passar no poema “Shame” e encontrou certa insegurança exatamente no ponto em que me senti insegura.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Antônio Carlos Sechhin, pela mesma razão do jurado Afonso Henriques: pelos comentários diretos.



Francisco Ferreira (João Saramica): Nenhum me impressionou positivamente, negativamente sim.



Cinthia Kriemler (Lune): Alfredo Fressia. Apontou possibilidades além-texto para os participantes.



Geovani Doratiotto (G.D): A Thelma Guedes. Realmente me impressionou o olhar crítico sem desmerecimento das poesias.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Francis Ivanovich: pois avaliou meu poema sobre cinema com um "Sem comentários". Deve ser muito bom de pena!



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Eu destacaria a Thelma Guedes. Ela me chamou atenção para algo que parece óbvio: a entrega emocional do poeta em sua obra: “Mas não me tocou com profundidade; ele me interessou mais pela harmonia e engenhosidade. Mas um poema tem que ser mais do que isso para tocar o coração do leitor. Faltou um pouco mais de entrega do autor”. Como ela disse, eu estive sempre muito mais com o aspecto formal do poema, em agradar. A fase mais difícil, colocar a emoção, eu não estava ainda muito preocupado. Depois desse comentário comecei a tentar essa entrega e vi como é difícil!



Henrique César Cabral (Gaspar): Gostei do jurado convidado Nonato Gurgel, comentando os poemas sobre mitologia. Foi correto, elogioso e me deu bom impulso, em sua análise.



Letícia Simões (Alice Lobo): Tiveram muitos! O Nonato, na fase do poema mitológico, escreveu coisas belíssimas e indicou alguns caminhos para a minha escrita que eu não tinha conseguido enxergar até então. A Thelma Guedes, nessa última fase, sobre cinema, me levou às lágrimas (literalmente, sério). Foi muito carinhosa a leitura dela e surpreendente, inclusive. Na fase do Doisneau, o fato do Victor Paes ter escolhido o meu poema como o de maior destaque me impressionou (eu detestei esse poema e desde que mandei para vocês sequer reli), e me provocou um cuidado e um pensamento maior sobre a estrutura da poesia.



Thiago Luz (Jean Jacques): Foram tantos que me perdi... (risos) Poderia citar dois que marcaram negativamente! Melhor deixar pra lá. Essa resposta eu fico devendo.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Marcelo Asth foi um poeta em seus comentários. O vi nitidamente escrevendo cada uma das poesias que julgou.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Neste ponto fico perdido entre as vastas explanações de Henry Alfred Bugalho e o estilo sucinto, mas bastante pragmático, de Claudio Willer; ambos igualmente necessários. Não me façam optar (risos).





3- APÓS TODAS ESSAS ETAPAS, QUAL POETA (ALÉM DE VOCÊS MESMOS, CLARO) MERECIA REALMENTE O TÍTULO DE CAMPEÃO DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A E POR QUÊ?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Votaria em um poeta que escreve de forma similar à minha, Flávio Machado. Gosto de poemas curtos e sem malabarismos linguísticos. As palavras já são fortes demais por si só. Prefiro intensidade na simplicidade.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Eu torci muito por Barolo, por uma dessas coincidências acabamos criando uma parceria, e pela qualidade da poesia. 



Francisco Ferreira (João Saramica): Embora eu torça pela Lune, qualquer um dos seis primeiros merece vencer, pois ESTÃO num "momento poético" melhor do que os demais. Haja vista a diferença de pontuação entre os dois grupos.



Cinthia Kriemler (Lune): Anna Lisboa. Como alguém já disse, ela passeou feliz pelo concurso, sem qualquer rmostra de insegurança ou desacerto em relação ao estilo que tem/mantém (e manteve). Tem uma cultura fantástica e domínio das “brincadeiras” que constrói com as palavras.



Geovani Doratiotto (G.D): A Anna Lisboa, porque ela é concreta.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Apontar apenas um seria covardia com os outros. Todos enviaram textos muito bem escritos ao longo do Concurso.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): Acho que a Lune mereceria ganhar essa competição poética, por ter passado pelo crivo de opiniões de jurados com gostos e formações tão diversas e ainda assim manter-se em posição de destaque. E, é claro, pela beleza de seus poemas.



Henrique César Cabral (Gaspar): Aprecio muito os poemas do Manoel Helder. Talvez seja impressão minha, mas parece haver semelhança entre nossas poesias. Apesar de sua apresentação se diferenciar muito da minha – na disposição dos versos, no corte e, no seu caso, com o grande diferencial das citações. Me surpreende também por ser muito jovem e com boa cultura e opiniões bem maduras.



Letícia Simões (Alice Lobo): TODOS! Atravessar todas essas etapas, com os temas mais díspares possíveis (de mitos a fotografia, de cinema a Nelson Rodrigues; ok, não tão díspares assim, mas muito próprios e carregados de significados) e criar tantos poemas belíssimos como os que eu tenho lido é algo. Assim: algo de muito.



Thiago Luz (Jean Jacques): Gostei muito do Manoel Helder, da Anna Lisboa e do G.D. Enfim, acho que qualquer um dos doze poderia ganhar, mas esses três se tornaram os meus favoritos ao longo das etapas.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Não há aqui poeta menos merecedor, entretanto, Lune e G.D me surpreenderam sempre. Fora isso, cada um deles tem algo meu (sinto assim). De vez em quando gostava mais de Lune, de vez em quando de G.D. Gente, digo que os dois merecem, pronto. Empate.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Todos os amigos poetas estão de parabéns pelo alto nível de poesia que demonstraram ao longo do concurso! Poesia sempre! E tendo mesmo que apontar um merecedor do prêmio, Anna Lisboa é minha favorita, seguidos de G.D, Lune, Alice Lobo e Gaspar (todos igualmente dignos de minha mais sincera admiração!). Na minha opinião, o destaque dado a Anna Lisboa se deve ao fato de que sua verve (palavrinha em desuso - risos) é fluente e constante, o que caracteriza por si só os poetas das alturas...







4- EM QUAL ETAPA DO CONCURSO VOCÊS TIVERAM MAIS DIFICULDADE NA ELABORAÇÃO DOS POEMAS E POR QUÊ?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Tive mais dificuldade nas etapas em que foi preciso trabalhar com imagens. Como se já não bastasse o tema, tivemos que ficar presos à imagem também. Para mim, isso exerceu pressão e eu não funciono sob pressão.



Flávio Machado (Dersu Uzala): Foram duas etapas, a última, por conta do poema sobre o conto, “A dama do lotação”, e na fase do poema sobre Mitologia, pela distância que tenho desse tema, não vejo nada mitológico na mitologia, e tentei fazer uma abordagem diferente, acabei sendo mal interpretado, e na última colocação da rodada.



Francisco Ferreira (João Saramica): Todas as etapas foram difíceis, mais pelo momento do que por qualquer outro motivo. Mas, em especial, a dos haicais que é uma técnica que não domino.



Cinthia Kriemler (Lune): Na etapa imagética. Sou péssima em imagens e associar alguma coisa à fotografia de Doisneau foi, pra mim, o mais difícil.



Geovani Doratiotto (G.D): A da homenagem a Clarice. Apesar de ter lido Clarice, a linguagem poética jamais sintetizará uma pessoa e suas experiências, ainda mais se essa pessoa vive (viveu) tão subjetivamente quanto ela.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): A fase do “Nu feminino” foi complicada, pois a linha entre o bom e o mau gosto é tênue.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): A minha maior dificuldade foi com o poema sobre Cecília Meireles, pois julgava não conhecer suficientemente bem a obra da escritora, mas, por incrível que pareça, esse foi um dos meus melhores resultados.



Henrique César Cabral (Gaspar): Minha maior dificuldade foi no poema-homenagem, no meu caso, a Cecília Meireles. Não pude trabalhar muito o poema – foi uma semana problemática. E parti, talvez, de uma premissa que se revelou equivocada: a de mostrar minha oposição à Cecília (pode uma coisa dessas?). Reconheço que fui muito pretensioso além do fato de ser uma poesia muito ruim.



Letícia Simões (Alice Lobo): Na etapa do Robert Doisneau e na etapa sobre o nu feminino. É muito difícil, para mim, criar em cima de uma imagem pré-estabelecida, pois exige um esforço duplo: primeiro, desconstruir a imagem para conseguir enxergar todos os possíveis saltos e, depois, tecer linhas com outros/novos sentidos a partir daqueles saltos. Olhar a imagem e pensar: o que ela pode me dizer? O que ela poderia me dizer? O que ela não poderia me dizer? O que eu quero que ela me diga? O que eu quero que ela diga para as outras pessoas?

E o pior: fazer todo esse exercício em uma semana!



Thiago Luz (Jean Jacques): Nas etapas da "nudez feminina", do "ano de nascimento" e da "foto do menino" na sala de aula eu não rendi o que poderia porque me faltou tempo. Na nudez, demorei a conseguir a foto e, como queria a escrever sobre a imagem, restou pouco tempo. Não pude amadurecer a ideia, colocar o poema no forno e deixar o tempo adequado pro fermento fazer efeito. No ano de nascimento, fiz o poema no domingo porque foi uma semana muito corrida, ou seja, joguei pra cumprir tabela. E na foto do menino, fiz com calma, mas quando mostrei a poesia pra minha esposa no domingo antes de enviar, ela disse: "Lindo, mas não tem muito a ver com a foto". Fiz um poema novo em meia hora e enviei para não perder o prazo. Enfim, mas não foi nada que me levaria à disputa pela liderança. Acho justa a minha colocação.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): O fim do mundo. Nunca havia feito uma coisa tão nova e diferente diante de meu estilo, mas resolvi arriscar e construir um diário narrando os últimos minutos de vida um poeta. A dificuldade estava em valer a classificação, mas aos trancos e barrancos, aqui estou.



Wender Montenegro (Manoel Helder): Na temática da fotografia de Doisneau senti um pouco de dificuldade, talvez pelo inusitado (pelo menos a mim) de ter que poetizar sobre imagem pré-estabelecida (isso foi muito novo realmente e fugiu às minhas práticas de criação).





5 – CAROS POETAS: O QUE MAIS SURPREENDEU A VOCÊS NESTE CONCURSO, POSITIVAMENTE? E QUAL PONTO NEGATIVO VOCÊS DESTACARIAM DESTE CONCURSO, SUGERINDO UMA MUDANÇA PARA A EDIÇÃO POSTERIOR?



Ana Beatriz Manier (Barolo): Achei muito boa a oportunidade de ler o julgamento dos poemas. É sempre bom saber como somos lidos, porém, achei o concurso longo demais, o que o tornou um pouco cansativo. Seria esta a minha única sugestão: reduzir o número de etapas. Quanto ao restante, Lohan, você está de parabéns. Pela seriedade e pela leveza do evento e pelas palavras de incentivo e carinho dedicadas a todos nós. Um beijo e um queijo. :)



Flávio Machado (Dersu Uzala): As perguntas surpresas são os pontos positivos, e achei o concurso longo. Precisa ter fôlego e disponibilidade, eu não tive muita disponibilidade. Os temas poderiam ser múltiplos, ou incluir uma brincadeira, onde cada poeta indica um tema para o outro poeta, e a questão dos pseudônimos, bom, cismei que houve juízos previamente estabelecidos. Será que meus poemas são tão ruins que as notas não mereçam ultrapassar o 9,6 ? No resto, valeu pela experiência.



Francisco Ferreira (João Saramica): Positivamente: o número de participantes e o nível dos onze concorrentes. Negativamente: o sistema de pontuação. Creio ser muito mais eficaz o sistema de 0 a 10, sem decimais.



Cinthia Kriemler (Lune): Positivamente: Quase tudo, dos temas à condução (brilhante) por parte da organização. Eu não mudaria praticamente nada. Negativo: o voto do público que nunca se sabe se foi por mérito, por amizade, ou por revolta (contra alguém). Se o concurso é de Poesia, o mérito tem que residir no talento ou não.  Gostei do voto dos jurados e do ponto-presente, porque são dados de autor para autor pelo mérito, mas o do público, sinceramente, não.



Geovani Doratiotto (G.D): O próprio concurso é uma surpresa. Ele é longo demais, a produção artística requer muito mais tempo, às vezes o poema surge em 30 minutos, outras nem em meses, relativamente a cada temática.



Hernany Tafuri (Nonada F.C.): Positivamente, algumas dicas dos jurados, a dinâmica da disputa, a qualidade dos poetas, a atenção e paciência dos organizadores. Como sugestão, acho que o anonimato poderia ser utilizado novamente.



Marco Antônio Tozzato (Per-Verso): O que mais me surpreendeu foram os temas. Todos sempre foram muito inspiradores e pertinentes. Gostei muito do cuidado na fase do cinema, em que vocês produziram um “filme” para cada poema. Aceito críticas, não reclamo nem do “zero” que levei. Mas alguns jurados foram desnecessariamente irônicos nos seus comentários. Acho a ironia uma grande falta de respeito.



Henrique César Cabral (Gaspar): O ponto positivo é a avaliação crítica sobre os trabalhos. Outro, que não posso deixar de ressaltar é a surpreendente organização do concurso. Lohan, se você se dedicasse a ganhar dinheiro estaria rico há essa hora. Ainda bem que você escolheu outro tipo de enriquecimento, para nossa sorte.  Negativo? Não sei. Talvez meu comportamento refratário a Facebooks da vida, tenha me impedido de me integrar mais com os outros participantes. Em resumo, o pior fui eu mesmo. (não vou dar a sugestão de me jogar pra fora, não mesmo).



Letícia Simões (Alice Lobo): Conhecer as pessoas, ler inéditos poemas absolutamente diferentes entre si. A poesia da Anna Lisboa e da Lune tomam rumos estruturais quase opostos, mas - sei lá por quê - vejo na apreensão do mundo, no sentimento embutido na poética das duas, uma amizade muito grande. A poética de G.D ganhou meu coração. Fico roendo as unhas esperando o próximo poema dele. E adoro, adoro, adoro ler Wender Montenegro. Quando surge um poema novo dele no Facebook, o dia ganha rasgos de amarelo.



Thiago Luz (Jean Jacques): Gostei muito da etapa do ano de nascimento e do cinema. Foram as mais legais, sem dúvida. Ponto negativo: não gosto da votação e dos pontos-presentes. É algo a se pensar. Com relação a possíveis melhorias: com relação às poesias coletivas, as estrofes que fizemos poderiam ser avaliadas também. E poderiam ter pontos extras em cada etapa para o melhor verso, melhor título, etc.



Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa): Nossa, o Autores S/A promove não apenas a poesia, mas a busca pela poesia e isso é impagável! Se formos escrever sobre a criatividade e talento poético de seus organizadores, esta resposta ficaria interminável. Este blog é uma luz no fim de mim, no fim de cada poeta, no fim do público, no fim da poesia. Que dure para sempre. Vi algumas notas sem explicação mais aprofundada e tomo isso como único ponto negativo.



Wender Montenegro (Manoel Helder): O concurso Autores S/A esteve cheio de agradáveis surpresas! Cito aqui a variação das linguagens das temáticas, o que exigiu dos poetas uma larga abrangência de olhares. A presença de competentíssimos jurados e a alternância deles, e a necessidade de chazinho de capim santo nas noites de quinta (né, Anna Lisboa?!) (risos). Destaco ainda a excelência na organização do concurso (meus parabéns, Lohan!). Apesar de ter achado estranho, a princípio, o ‘derramamento’ de pontos-presentes disponíveis a partir da penúltima rodada do concurso, acho que isso também contribui para a surpresa do resultado final. Meu conselho é para que esses pontos sejam definidos logo no início do certame. No mais, só agradecer pela experiência que o Autores S/A nos proporcionou!





AVISO IMPORTANTE:



Em caso de empate no total do Ranking Oficial, o desempate será feito como sempre foi durante o concurso: valerá o resultado final da última etapa, ou seja: quem ficou à frente na etapa “Cinema” terá vantagem em caso de empate no Ranking Oficial.





PONTO BÔNUS:



O vencedor do PONTO BÔNUS do leitor foi o poeta: WENDER MONTENEGRO (MANOEL HELDER). Parabéns, poeta! Você conquistou 1 ponto!







PONTO-PRESENTE



Os poetas também votam entre si. Vejam!





De: Francisco Ferreira (João Saramica):



“A Dama do Lotação” e “Despedida”: Cinthia Kriemler (Lune).

Justificativa: Ambos os meus pontos vão para Lune porque, depois de mim, torço por ela.



De: Thiago Luz (Jean Jacques):



A Dama do Lotação: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa).

Justificativa: Gostei da construção do poema e das imagens utilizadas.



Despedida: Wender Montenegro (Manoel Helder).

Justificativa: Talvez seja este um dos melhores poemas do concurso.



De: Ana Beatriz Manier (Barolo):



A Dama do Lotação: Cinthia Kriemler (Lune)

Justificativa: Poema belo e simples, como o título, rápido e certeiro com relação ao tema.



Despedida: Flávio Machado (Dersu Uzala)

Justificativa: Poema sentido, com imagens fortes e também certeiras.



De: Flávio Machado (Dersu Uzala):



A Dama do Lotação e Despedida: Ana Beatriz Manier (Barolo)

Justificativa: Ambos os meus pontos vão para Barolo porque foi a poeta que mais me identifiquei no concurso todo.



De: Hernany Tafuri (Nonada F.C.):



A Dama do Lotação: Ana Beatriz Manier (Barolo)

Justificativa: A Dama é isso que o poema diz!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Muito bom. Até!





De: Marco Antônio Tozzato (Per-Verso):



A Dama do Lotação: Thiago Luz (Jean Jacques)

Justificativa: Achei que estava mais dentro do tema, a história foi passada com beleza e simplicidade.



Despedida: Letícia Simões (Alice Lobo)

Justificativa: Ela conseguiu construir belas imagens baseadas na sensação do adeus, da despedida.





De: Wender Montenegro (Manoel Helder):



A Dama do lotação: Francisco Ferreira (João Saramica)

Justificativa: O poeta estruturou seu poema com base na temporalidade que caracteriza os contos, sem abrir mão, no entanto, dos elementos essenciais à poesia (e que me são caros), a saber, a precisão e a concisão da linguagem, o ritmo interno, o lirismo e esse “Está morto!” como valioso arremate. Parabéns, Saramica!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Por toda a beleza contida no modo particular de expressar sua verdade! Mais que justa a homenagem ao poeta que é todo coração! Parabéns, G.D.!



De: Geovani Doratiotto (G.D):



Dama do Lotação: Wender Montenegro (Manoel Helder)

Justificativa: Pelo poema-paralelepípedo.



Despedida: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa)

Justificativa: Por ela ser o Tijolo do muro.





De Letícia Simões (Alice Lobo):



Dama do Lotação: Flávio Machado (Dersu Uzala)

Justificativa: Lindíssimo!



Despedida: Wender Montenegro (Manoel Helder)

Justificativa: Fiquei com inveja, queria ter escrito esses versos!



De: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa):





A Dama do Lotação: Cinthia Kriemler (Lune)

Justificativa: Maravilha chamada "Simples". Simples??? Quase tive um treco (risos). Como pode escrever assim??? Humm??!!! Boa sorte, querida do sky!!!



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Um ponto para G.D e seu parto. "Me sinto demasiado pessoa, destarte isto,

sou exímio ouvinte de flauta "- p-o-e-t-a . Boa sorte, G.D!!!











De: Henrique César Cabral (Gaspar):



A Dama do Lotação: Ana Lúcia Pires (Anna Lisboa)

Justificativa: É uma poeta que me surpreende a cada rodada (pena que é a última – até onde isso iria dar?). O verso: “Que sou tua esposa e de qualquer marido” é de uma crueza que me espanta ainda agora, e foi o motivo por votar nessa poeta que sabe muito bem o que  (e como) faz(er). Parabéns Anna, você foi do mais alto nível todo o tempo.



Despedida: Geovani Doratiotto (G.D)

Justificativa: Os poemas da temática Despedida, para mim, foram os melhores até agora. Superando o da fase da Mitologia (será que realmente ultrapassamos essa fase?), que para mim tinha sido o ápice de todo o Concurso. Eu até sentia certo alívio por não ter sido obrigatória a votação naquele. Para votar nesse, sinceramente, tive que garimpar detalhes, e aceitar a menos confiável das autoridades: o gostei mais. E gostei muito do poeta G.D. - Geovani Doratiotto. Acho que fez um belo trabalho nO Parto de Maiakovski (desculpe o trocadilho, é imperdoável). Sempre me pareceu que apesar do caótico aparente, esse poeta não dá um passo em falso. Ele brilha.







De: Cinthia Kriemler (Lune):



A Dama do Lotação: Geovani Doratiotto (G.D)                        

Justificativa: Pela genialidade desse texto, “A Palavra no Lotação”, que brincou com a gramática, com a sintaxe, com toda a língua e ainda cumpriu com leveza, (fino) humor, simplicidade e inteligência o tema desta final.



Despedida: Francisco Ferreira (João Saramica)

Justificativa: Pelo que colocou de beleza e emoção nesse texto lindo e melancólico que, tenho certeza, foi escrito com a alma na ponta dos dedos. E pela saudade que me emprestou de um lugar de laranjeiras para o qual a gente sempre quer voltar (eu quero).





PREMIAÇÃO-EXTRA DO II CONCURSO DE POESIA AUTORES S/A



            Serão apresentados, a seguir, os indicados nas categorias: “Melhor Poema”, “Melhor Título”, “Melhor Intertextualidade”, “Melhor Criatividade”, “Melhor Estrofe”, “Melhor Verso” e “Melhor Arremate Final” do II Concurso de Poesia Autores S/A. Vale lembrar que foram indicadas somente as obras pertencentes aos 12 finalistas do concurso, partindo da 1º etapa das finais: “O Fim do Mundo”. A não ser na categoria “Melhor Poema”, na qual foram 12 (doze) poemas indicados, todas as demais categorias tiveram 8 (oito) indicações cada.

As indicações foram feitas de acordo com as opiniões dos jurados e dos organizadores do certame. A decisão ficará por conta dos mesmos, após um consenso geral. Na sexta-feira, serão divulgados os vencedores em cada uma das categorias. Cada um dos poetas vencedores levará um livro como premiação. Além disso, os poemas vencedores em cada categoria já estarão garantidos na antologia do concurso.

Parabéns, poetas!

Eis os indicados:





Melhor Poema:



1º indicação:



“Aulas Mortas”

(Gaspar)



2º indicação:



“Terra Virtual”

(João Saramica)



3º indicação:



“Tinta”

(Barolo)



4º indicação:



“Metapoema de asa e voo”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



6º indicação:



“Nem todo napalm será perdoado

– tributo a nudez não consentida de Kim Puhc -”

(Lune)

7º indicação:



“Da Nudez Oferenda ou O sal dos segredos”

(Manoel Helder)



8º indicação:



“sonhos de Kurosawa”

(Dersu Uzala)



9º indicação:



“Poema-Dividido”

(G.D)



10º indicação:



“Yesterday (há de ser outro dia)”

(Anna Lisboa)



11º indicação:



“A Palavra no Lotação”

(G.D)



12º indicação:



“como o oceano inteiro a navegar”

(Alice Lobo)





Melhor Título:



1º indicação:

“Viúvo é quem morre, traído é quem ama”

(Anna Lisboa)



2º indicação:



“Yesterday (há de ser outro dia)”

(Anna Lisboa)



3º indicação:



“Nem todo napalm será perdoado

– tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“

(Lune)



4º indicação:



“Silêncio de claquete: Parte Saraceni”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“(In)vadia”

(G.D)



6º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



7º indicação:



“Baco, now!”

(Per-Verso)



8º indicação:



“Clarice: feminino adjetivo”

(Jean Jacques)





Melhor Intertextualidade:



1º indicação:



“Um lugar que se chama eu”

(Lune)



2º indicação:



“Tinta”

(Barolo)



3º indicação:



“sonhos de Kurosawa”

(Dersu Uzala)



4º indicação:



“Cantata a duo para Cecília e pássaro”

(Manoel Helder)



5º indicação:



“No olhar”

(Nonada F.C.)



6º indicação:



“Parto”

(G.D)



7º indicação:



“Em vão”

(Barolo)



8º indicação:



“Reacionários de todo o mundo, Uni-Vos!”

(João Saramica)





Melhor Criatividade:



1º indicação:



“A Dama e o Vaga-lume”

(Anna Lisboa)



2º indicação:



“ulisses,”

(Alice Lobo)



3º indicação:



“Genesis”

(Anna Lisboa)



4º indicação:



“Uma quase canção para Cecília”

(Per-Verso)



5º indicação:



“Poema do Lotação”

(G.D)



6º indicação:



“Frações e outras partes”

(Anna Lisboa)



7º indicação:



“Eu, Cabíria”

(Lune)



8º indicação:



“Mitologia íntima”

(Jean Jacques)





Melhor estrofe:



1º indicação:



“O oráculo de delfos

Atende em hora fixa na Av. Paulista.

Hércules tem apenas

um oficio de oito horas”

(“Caverna-São Paulo”, de G.D)



2º indicação:



“o insuperável  sabor do voo

num banco duro – o coração

esquece que é matéria

e sonha ...”

(“Aulas Mortas”, de Gaspar)



3º indicação:



“A sirene dita o fim do tempo,

escravo das onomatopeias,

o obturador clica

-click, click, clik”

(“Aluno Operário”, de G.D)



4º indicação:



“Delta ou estuário onde o sol se refaz,

pássaro banhado

na concha dos seios,

colinas acesas

indicando o norte

para a nau dos homens”.

(“Da Nudez Oferenda ou O sal dos segredos”, de Manoel Helder)



5º indicação:



“existe uma carne a ser coberta

e por ela cessem os melhores coitos

os maiores gozos

por ela dobrem os sinos

ensurdecendo as turbinas

que borrifam do céu o esperma de napalm”

(“Nem todo napalm será perdoado – tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“, Lune)



6º indicação:



“enquanto impaciente assistia

à vida que desabava

o sonho violento trouxe a onda

- o teu azul que sempre escapa”

(“estudo de Cecília”, de Alice Lobo)



7º indicação:



“Uma flor enferrujada

sobre meu peito: a tenho

como desenho perpétuo”.

(“Céu de gesso”, Nonada F.C.)



8º indicação:



“or gasmo or not to be

Eis a ques-tão linda: Kriska

Sem sobrenome, sem sobretudo

Sem sobressalto 15”

(“Frações e outras partes”, de Anna Lisboa)



Melhor verso:



1º indicação:



“você na plateia sorri em rasgos de amarelo”

(“carta a Buñuel”, de Alice Lobo)



2º indicação:



“Que sou tua esposa de qualquer marido”.

(“Viúvo é quem morre, traído é quem ama”, de Anna Lisboa)



3º indicação:



“Poema é candeia que dilata sombras”

(“Metapoema com adeus e voo”, de Manoel Helder)



4º indicação:



“havendo AInda 5 formas de mordaça”.

(“Reacionários de todo mundo, Uni-Vos!”, de João Saramica)



5º indicação:



“existe uma carne a ser coberta”

(“Nem todo napalm será perdoado – tributo a nudez não consentida de Kim Puhc –“, de Lune)



6º indicação:



“dorme uma hidra à sombra dos cabelos”.

(“Mítica Cartografia de um Corpo em Naufrago”, de Manoel Helder)



7º indicação:



“O amor, Ulisses, é só um estremecimento do azul”.

(“ulisses,”, de Alice Lobo)



8º indicação:



“vinho delirante de bagos esquartejados”

(“O Coro do Caos”, de Anna Lisboa)



Melhor arremate final:



1º indicação:



“O ministério da televisão anuncia:

- Alimente-se de (François) Truffaut ,

cuidado para não (EN) Godard”.



(Cinema novo, de novo, de novo, de novo, etc., de G.D)



2º indicação:



"A T(r)aça do I(mundo) é nossa!"

(“Yesterday (há de ser outro dia)”, de Anna Lisboa)



3º indicação:



“O médico disse em tom de bravata:

Nem homem, nem mulher,

seu filho é Comunista”.

(“Poema-Dividido”, de G.D)



4º indicação:



“meus dedos desmancham o ontem
                                                              esperando a sua voz”.

(“ulisses,”, de Alice Lobo)





5º indicação:



“O cartaz na manifestação

dizia:

Elas estão nuas

e cobertas de razão”.

(“(In)vadia”, de G.D)



6º indicação:



“Pequena deusa, ínfimo de Deus,

Abismo íntimo!”

(“Clarice: feminino adjetivo”, de Jean Jacques)



7º indicação:



“em mil novecentos e oitenta e oito

tudo estava em seu lugar

(a poesia encontrara a sua morada)”

(Alice Lobo)



8º indicação:


“Tudo é tinta, meu bem,

o rosado do rosto

o vermelho da unha

o branco do fio

o breu”.

(“Tinta”, de Barolo)



(OS VENCEDORES EM CADA CATEGORIA SERÃO ANUNCIADOS A PARTIR DE AMANHÃ. SERÃO ELIMINADOS, GRADUALMENTE, OS INDICADOS, ATÉ FICAR APENAS O VENCEDOR. AGUARDEM!)



ATENÇÃO:



EM BREVE, LANÇAREMOS O PRIMEIRO RANKING E A PRIMEIRA PARCIAL DESTA FINAL. FIQUEM LIGADOS, POIS A EMOÇÃO ESTÁ SÓ COMEÇANDO!



AUTORES S/A